Amigos leitores,

Terminamos nosso mini curso sobre como degustar o seu vinho e, com isso, temos condições agora de abordar o controverso tema da Harmonização.

Antes de começar, quero deixar bem claro que, embora tecnicamente haja o mais e menos correto em termos de HARMONIZAÇÃO, na prática NÃO existe nenhuma regra de etiqueta que condene qualquer tipo de casamento entre o vinho e a comida.

As regras de harmonização apenas buscam evidenciar aquilo que ambas as partes tem de melhor, fazendo com que 1 + 1 seja mais do que 2.

A harmonização entre vinho e comida é bastante complexa. Já se foi o tempo em que se definia simplesmente que o vinho branco era para os peixes e os frutos do mar, e o tinto para as carnes vermelhas.

Saber reconhecer as características do prato nos permite determinar as características do vinho que será escolhido.

Quando se degusta um prato, de fato, a boca e o nariz percebem determinadas sensações que, no momento de beber o vinho podem se harmonizar ou se acentuar ainda mais. No primeiro caso, podemos afirmar que o casamento é HARMÔNICO, no segundo, que é DESARMÔNICO.

Existem centenas de regiões vinícolas no mundo e em cada uma, centenas de milhares de produtores que elaboram vinhos com enorme diversidade de aromas e sabores. Por isso, quanto mais experiência individual as pessoas tiverem dos caracteres e das diferentes sensações que podemos encontrar nos vinhos, mais fácil vai ser a possibilidade de escolher o vinho certo.

AGORA UM POUCO DE HISTÓRIA:

Os historiadores afirmam que o primeiro sinal de civilidade do Homem foi quando ele iniciou a pensar numa vida após a morte. Um outro sinal importantíssimo, gostamos de pensar, foi quando ele parou de se alimentar somente para a sobrevivência e pensou na comida como prazer. De fato, o primeiro homem que acrescentou um pouco de sal à sua comida, deu um passo gigantesco no caminho da civilização.

O homem primitivo comia as coisas que recolhia: sementes, frutas, ervas e raízes. Sucessivamente na sua dieta aparece a carne crua dos animais que caça ou pesca. Descobre o fogo e a possibilidade de assar as carnes e cozinhar os alimentos, melhorando o gosto e a digestão.

Agricultura, criação do gado, uso do sal e descoberta das técnicas de conservação dos alimentos (defumação, secagem, salga, etc.) são outras etapas importantíssimas.

Inicialmente, o homem como os animais, comia quando tinha fome; ter horário para as refeições, como aceitar regras de vida, é também civilização.

Nasce a “gastronomia“, a arte de cozinhar de maneira a proporcionar prazeres aos que comem, e o gastrônomo é aquele que aprecia as iguarias bem feitas e procura os prazeres da mesa.

Quanto maior é a cultura de um povo, maior é o interesse que ele tem pela mesa. Lembramos dos Egípcios, dos Fenícios, dos Gregos, dos Etruscos e dos Romanos, dos seus banquetes intermináveis, das primeiras receitas e das técnicas de cozimento precisas e codificadas. E também lembramos dos povos bárbaros que, ao contrário, comiam carne crua que deixavam amadurecer entre a sela do cavalo e o próprio animal…

Os alimentos que chegam do Novo Mundo (batatas, tomates, café, cacau, etc.)revolucionam a cozinha e o gosto, assim como o uso das ervas aromáticas e das especiarias que os comércios e as viagens mais rápidas permitem importar com mais facilidade

A cozinha, a partir do século XVI, conhece o triunfo e é considerada uma verdadeira arte, assim como a harmonização entre vinho e comida.

 

Fiquem conectados porque a partir da próxima semana vamos mergulhar neste fantástico mundo da Harmonização!

Até lá!

Alexandre Fadel