A calvice é uma amputação da moldura do rosto de homens e mulheres mas, no segundo caso, ela é um pouco mais dolorosa.

Minha história se inicia aos 15 anos quando passei a perder fios e mais fios de cabelo todos os dias. Quando comecei a trabalhar na Tv Bandeirantes três anos depois ainda acreditava que vivia apenas uma fase, mas estava enganada.

Passados mais alguns anos eu já não conseguia desviar os olhos do topo da minha cabeça onde sempre estava um pequeno espaço quase vazio. Para sobreviver na reportagem eu recorri à uma maquiagem para peles morenas que, quando passada no couro cabeludo, esconde perfeitamente as lacunas deixadas pela calvice. Todos os dias expunha a minha fragilidade na frente de todas as colegas de trabalho porque, antes de ser carinhosamente cuidada por uma cabeleireira e ir para a rua gravar, precisava transformar a minha cabeça em uma pequena enganação. E assim vivi por outros cinco ou seis anos. Apresentei telejornais, programas especiais da emissora e fiz minhas reportagens diárias.

Em paralelo busquei tudo disponível no mercado. Acreditem… existe muita coisa por aí. Injeções, hormônios, ultrassons, massagens, shampoo para cavalo, produtos capilares de todos os tipos. Não consigo calcular quanto gastei na tentativa de reaver todos aqueles fios perdidos.

Vi amigos homens terem ótimos resultados e amigas mulheres que também foram felizes. Eu não. Por isso, me resignei.

O curioso é que muitos amigos e colegas nunca notaram o problema.

Um belo dia a sorte bateu à minha porta e eu tive a oportunidade de fazer um transplante capilar com o “papa” no assunto aqui no Brasil. O Dr. Carlos Uebel é respeitado em todo o mundo e considerado uma sumidade no assunto. Foi nessas mãos tão precisas que eu mudei a minha vida e reconstituí a minha autoestima.

É difícil mensurar o quanto eu fiquei mais forte. Talvez valha citar que o transplante me permitiu tirar fotos que enquadrem o topo da minha cabeça… Posso ir para a praia e ficar sem lenço ou chapéu.

Faço penteados que ficam bonitos porque não sou mais tão calva.

Trabalho como repórter de rua em televisão e me sinto mais bonita.

Passados dois anos da primeira cirurgia chegou a hora de fazer a segunda.

Embarquei para Porto Alegre cheia de ansiedade no domingo dia 04 de maio, com a expectativa de que enfim… aos 34 anos de idade, talvez já aos 35… pudesse parar de reparar naquilo que quase ninguém presta atenção mas que sempre me fez sentir um pouco menos.

A cirurgia foi um sucesso. Operei às 7h, saí da recuperação às 11h, voltei para São Paulo às 19h. Tomei banho e tirei o capacete com bandagens na manhã seguinte e já no terceiro dia, pude voltar ao trabalho. Em sete dias tirei os pontos e cuidei para não utilizar produtos químicos no cabelo por 30 dias.

Porque resolvi falar sobre isso aqui? Porque muitas mulheres vivem o mesmo drama e pouco falam. A vergonha inerente à calvice feminina é muito triste, nos consome e silencia. Gostaria de, através desse testemunho, trazer o assunto à tona e dizer para todas essas mulheres que sempre movem os olhos para o topo de suas cabeças toda vez que se olham no espelho, que existe uma solução permanente.

A primeira vez que fiz foi de graça, mas a segunda eu paguei. É um custo alto. Hoje cada procedimento custa em média R$ 10 mil. Mas com planejamento…poupança… enfim…. A cirurgia é delicada mas indolor (se feita com um profissional de ponta). E o resultado? Bem, o resultado vai abrindo um sorriso constante no nosso rosto com o passar dos meses.

Primeiro incomoda. Depois coça muito. Três meses depois nascem os primeiros cabelos transplantados e um ano depois é hora de viver a nova vida.

Mas não me iludo. Sei que com o passar dos anos aqueles fios naturais do topo da minha cabeça continuarão a cair, e ficarão apenas aqueles transplantados. Sei que provavelmente precisarei de uma terceira cirurgia. Mas hoje já me sinto muito mais livre.

Falemos sobre a calvice feminina. Muitas, muitas,muitas mulheres sofrem com isso. Se escondem, se apequenam. Temos que trazer o assunto à tona.  Quem sabe um dia os planos de saúde começarão a entender que o transplante não é apenas uma cirurgia estética, mas uma restauração da feminilidade assim como a reconstrução das mamas.

Um abraço

Marina Machado